A carência de cobertura de telefonia móvel nas extensas áreas rurais de Joinville foi o foco de uma acalorada discussão na Comissão de Economia da Câmara de Vereadores nesta quarta-feira (17). Proposto pelo vereador Adilson Girardi (MDB), o debate reuniu parlamentares, representantes da prefeitura e lideranças comunitárias para clamar por soluções urgentes ao "apagão digital" que isola moradores e impede o desenvolvimento do potencial turístico de rotas rurais.

Durante a reunião, a comissão deu um passo importante ao aprovar por unanimidade uma moção direcionada à Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). O documento visa exercer pressão sobre os deputados estaduais para acelerar a aprovação do projeto de lei "Sinal Bom", uma iniciativa do governo estadual que propõe investimentos significativos na infraestrutura de telecomunicações no campo.

Silvia Brümmer, presidente da Associação de Moradores da Estrada dos Morros (Amem), detalhou os desafios enfrentados na região do Piraí. Ela explicou que, mesmo com acesso à internet fixa via fibra ótica em algumas residências, a ausência de sinal de celular fora de casa deixa os moradores completamente incomunicáveis. Essa falta de conectividade impacta diretamente o acionamento de serviços públicos essenciais como Samu, Bombeiros e Polícia Militar em situações de emergência. Além disso, o isolamento afeta a mobilidade, com motoristas de aplicativo evitando a área por receio de perder o rastreamento, prejudicando idosos e estudantes.

Os impactos econômicos e turísticos também foram ressaltados. Comerciantes e produtores rurais sofrem com a instabilidade para realizar transações financeiras, como o Pix, e a falta de conectividade afasta potenciais turistas que buscam segurança e conveniência. Maiara Brümmer, da Associação do Turismo Ecorrural de Joinville (Aterj), relatou casos alarmantes de moradores que precisaram percorrer longas distâncias ou subir em árvores em busca de sinal para pedir socorro médico. Ela também mencionou que, em casos de queda de energia, a internet fixa também é interrompida, mergulhando a comunidade em um completo isolamento.

O presidente da Mesa Diretora, vereador Diego Machado (PSD), classificou a situação como "vergonhosa" para 2026. Diante da complexidade para a instalação imediata de novas antenas, ele sugeriu a busca por alternativas paliativas. A vereadora Vanessa Venzke Falk (Novo) informou que uma reunião ampliada com as forças de segurança está agendada para o dia 1º de julho, visando alinhar canais facilitadores de atendimento. O presidente da comissão, Adilson Girardi, criticou a ausência de representantes das principais operadoras de telefonia, interpretando como prioridade o retorno financeiro em detrimento das necessidades sociais. Ele aposta no programa estadual "Sinal Bom", que prevê um aporte de R$ 580 milhões para novas estações e R$ 250 milhões para expansão da fibra ótica em Santa Catarina, como um caminho crucial para a solução. O projeto de lei estadual nº 325/2026, que tramita na Alesc, busca reduzir custos de implantação em áreas de baixa densidade populacional e oferecer anistia a multas de empresas. Uma comitiva de vereadores de Joinville viajará a Florianópolis para entregar pessoalmente a moção e cobrar celeridade na aprovação da matéria.