Com a queda das temperaturas durante o inverno não são apenas as doenças respiratórias que ficam em evidência. As baixas temperaturas também podem aumentar o risco de casos cardiovasculares graves, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente entre a população idosa. Por isso, a Prefeitura de Joinville reforça o alerta para a saúde cardiovascular nesta época.

Segundo a neurologista Carla Moro, médica do Hospital Municipal São José e membro da Associação Brasil AVC (ABAVC), estudos científicos confirmam que casos de infarto podem aumentar em até 30% no inverno, enquanto a ocorrência de AVC pode crescer cerca de 20% nesta época de baixas temperaturas.

“Para manter o corpo aquecido, ocorrem alterações no nosso organismo e a principal delas é que as artérias se contraem para segurar o calor no corpo. Isso aumenta a resistência na passagem do sangue e a pressão arterial”, explica a neurologista.

Além da vasoconstrição, a especialista destaca que o frio estimula a liberação de hormônios do estresse, como adrenalina e noradrenalina, acelerando os batimentos cardíacos e elevando ainda mais a pressão. Esse cenário pode favorecer o desprendimento de placas de gordura já existentes nas artérias, provocando obstruções.

Outro fator agravante no inverno é a menor ingestão de líquidos. “Quando nos hidratamos menos, o sangue se torna mais viscoso, o que aumenta as chances de formação de coágulos”, alerta a médica.

Com maior dificuldade em manter a temperatura corporal, a população idosa é a mais vulnerável, mas outros fatores também influenciam. “Hipertensos, diabéticos, fumantes, pessoas com insuficiência cardíaca, arritmias ou outras cardiopatias devem ter cuidado extra durante os dias mais frios”, orienta Carla.

Manter-se bem agasalhado, com atenção especial aos pés, mãos e cabeça, é essencial para reduzir os riscos de doenças cardiovasculares no inverno. Além disso, reforçar a hidratação e não interromper o uso de medicamentos de rotina, especialmente para quem tem doenças crônicas, é outra recomendação importante.

As infecções respiratórias, mais comuns nesta época, causam uma forte resposta inflamatória no organismo, o que sobrecarrega o sistema cardiovascular de pacientes que possuem predisposição. Por isso, a vacinação contra a gripe é uma das principais formas de prevenção.

“Tomar a vacina é essencial para evitar formas graves de infecções respiratórias e, consequentemente, reduzir o risco cardiovascular”, orienta a médica neurologista.

A vacina contra a gripe segue disponível para toda a população a partir de seis meses nas Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs) de Joinville (exceto a UBSF Jativoca) e na Sala de Vacinas Central (rua Abdon Batista, 172). Os endereços e horários de atendimento estão disponíveis no site da Prefeitura de Joinville.

O principal sinal de alerta para casos de infarto é a pressão ou dor no peito (geralmente do lado esquerdo), que pode irradiar para o braço, pescoço e mandíbula. Outros sintomas, como sensação de aperto, palidez, náuseas ou desconforto abdominal, também podem surgir.

No AVC, é preciso ficar atento a sintomas como boca torta, fraqueza ou dormência em um lado do corpo; dificuldade para falar ou compreender; dor de cabeça súbita e intensa; tontura ou perda de visão (em um ou nos dois olhos). “A presença de qualquer um desses sinais, especialmente se surgirem de forma abrupta, exige atendimento médico imediato”, alerta a médica.

Diante de suspeita de infarto ou AVC, a orientação é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pelo telefone 192 ou dirigir-se ao pronto-socorro mais próximo, relatando os sintomas e histórico médico.

Por sua excelência no tratamento do AVC, Joinville foi a sexta cidade no mundo a obter a certificação Cidade Angels, reconhecimento mundial que integra hospitais, SAMU, atenção básica e escolas com foco na prevenção e reabilitação da doença.