A grave superlotação na rede hospitalar pública de Joinville foi o centro das atenções na reunião da Comissão de Saúde, realizada nesta quarta-feira (29). A discussão, convocada pelo vereador Henrique Deckmann (MDB), focou na capacidade máxima de atendimento das unidades municipais, nos planos de expansão do Sistema Único de Saúde (SUS) e na preocupante situação das filas cirúrgicas que afetam os pacientes.

Durante o encontro, o vereador Pastor Ascendino Batista (PSD) enfatizou a necessidade urgente de ampliar a infraestrutura hospitalar na cidade. Ele defendeu uma postura mais assertiva na cobrança ao Governo do Estado de Santa Catarina por mais recursos e leitos. "Cem leitos era o mínimo para podermos atender adequadamente a população. Precisamos começar a cobrar do Governo do Estado essa necessidade. Agora é o momento de cobrar, nós temos o espaço, não é algo tão difícil, é vontade política", declarou Batista, ressaltando a importância da vontade política para solucionar o problema.

A gestão do Hospital Municipal São José (HMSJ) apresentou um panorama detalhado de suas operações, revelando números expressivos. A instituição registrou mais de 197 mil atendimentos ao longo de 2025, com o setor de pronto-socorro recebendo entre 6 mil e 7 mil pacientes mensalmente. A projeção indica uma continuidade no aumento do volume de atendimentos em 2026, o que reforça a necessidade de medidas emergenciais.

Para enfrentar a demanda crescente e otimizar o atendimento de casos graves, o HMSJ informou que está em fase de planejamento e reforma para a ampliação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Paralelamente, a comissão analisou a extensa fila de espera para procedimentos eletivos, que atualmente conta com 1.308 cirurgias pendentes. Este dado acendeu um alerta entre os vereadores sobre a urgência em agilizar os processos de agendamento e execução dessas intervenções cirúrgicas, visando reduzir o sofrimento dos pacientes.

A representante da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES-SC), Graziela Vieira, apresentou dados sobre a oferta de leitos na região e no estado. Santa Catarina dispõe de 18.961 leitos, com 71,18% destinados ao SUS. Na região em foco, são 921 leitos SUS e 444 de rede privada. Vieira ressaltou a importância da atualização constante do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) para um planejamento eficaz. Ela também mencionou esforços do Estado para descentralizar serviços de saúde em regiões vizinhas, como Jaraguá do Sul e Mafra, a fim de aliviar a pressão sobre os hospitais de Joinville, que historicamente recebem pacientes de outras localidades.