A Prefeitura de Joinville deu um passo significativo no combate às arboviroses ao anunciar a terceira e última fase de expansão do Método Wolbachia em toda a área urbana do município. Com essa iniciativa pioneira, Joinville se posiciona como uma das primeiras cidades do Brasil a implementar a estratégia em 100% de seu território urbano, consolidando esforços para erradicar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya.

A cidade catarinense já havia sido pioneira em Santa Catarina na adoção do Método Wolbachia, que utiliza mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia para reduzir a transmissão viral. Essa abordagem inovadora, combinada com outras ações de prevenção e controle, demonstrou resultados notáveis, culminando em uma redução de aproximadamente 99% nos casos de dengue registrados em 2025, e zerando os óbitos pela doença desde então.

A prefeita Rejane Gambin destacou a importância da negociação com o Ministério da Saúde e a Wolbito do Brasil para viabilizar a expansão total. "Temos certeza da eficácia do Método Wolbachia, junto com as outras ações que continuamos fazendo no município, que são os mutirões, a educação infantil, a conscientização do morador. Sem dúvida nenhuma, a ampliação vai trazer mais tranquilidade à população", afirmou. A secretária da Saúde, Daniela França Cavalcante, reforçou que a medida visa minimizar os impactos de doenças como zika e chikungunya, além da dengue.

A nova etapa abrangerá os 11 bairros restantes na área urbana, onde cerca de 100 mil pessoas serão diretamente beneficiadas pela soltura dos mosquitos Wolbitos. As ações terão início em agosto, nos bairros América, Atiradores, Centro, Jardim Iririú, Jardim Sofia, Jarivatuba, Parque Guarani, São Marcos, Santa Catarina, Zona Industrial Norte e Zona Industrial Tupy (Boa Vista). O investimento para esta fase é de aproximadamente R$ 1 milhão, proveniente de repasses do Ministério da Saúde para Vigilância em Saúde, e a cidade conta com estrutura própria e capacidade de produção na Biofábrica para atender até 500 mil habitantes.

O Método Wolbachia, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Ministério da Saúde e operado pela Wolbito do Brasil, consiste na liberação controlada de mosquitos Aedes aegypti que portam a bactéria Wolbachia. Essa bactéria, naturalmente presente em mais da metade dos insetos do planeta, impede que o mosquito transmita vírus como o da dengue. A tecnologia já demonstrou segurança e eficácia em diversos países. A implementação em Joinville, iniciada em 2024, integra-se a um conjunto de ações municipais, como mutirões, uso de inseticidas e campanhas educativas, que juntas têm reconfigurado o cenário epidemiológico da cidade, alcançando o menor risco em cinco anos.

Os resultados do método são evidentes: em 2024, auge da epidemia, Joinville registrou 80.200 casos confirmados e 83 óbitos por dengue. Desde 2025, não há mais registros de óbitos pela doença no município, e o ano de 2026 segue com baixos índices, contabilizando 49 casos confirmados e nenhum óbito, refletindo a eficácia da estratégia integrada de saúde pública.