A escolha pegou de surpresa representantes do MDB no estado, depois de o governador prometer a vaga para o partido e afirmar, em entrevista à rádio Jovem Pan em outubro, que estava "tudo encaminhado". A sigla tem quatro pastas no governo e via como o nome mais cotado para a posição o secretário estadual de Agricultura, Carlos Chiodini, presidente do diretório estadual do partido. Ele havia sido nomeado para o cargo em um movimento de aproximação do governo de Jorginho com o MDB em fevereiro do ano passado, que acabou incomodando correligionários. À época, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) foi uma das que questionou se o "critério" usado para a escolha teria sido "votar mais com o governo Lula".
— Achei uma baita coligação para ganhar no primeiro turno, porque une a direita e estrategicamente impede de se criar um novo movimento de direita em Santa Catarina — disse Zanatta, em um vídeo publicado na noite de quinta-feira. — Fui contra aliança com partidos que aqui em Brasília apoiam o governo Lula e lá em Santa Catarina querem estar no governo. Ou está com o Lula, ou está com a gente.
A celebração não se repetiu dentro do MDB. Além da Agricultura, o partido tem o comando de outras três pastas (Meio Ambiente, Infraestrutura e Esporte). Depois de ser escanteado para a composição da chapa do governador, o partido deverá se reunir em um hotel em Florianópolis na próxima segunda-feira para discutir a permanência no governo.
A escolha também retoma as discussões sobre a composição de Jorginho para as eleições deste ano, que geraram atritos no ano passado. A indicação de Carlos Bolsonaro para o Senado deslocou para fora da chapa a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), já que a segunda vaga deverá ser ocupada pelo senador Espiridião Amin (PP-SC), que disputará a reeleição. Desde então, a parlamentar tem articulado sua transferência para o Novo, onde terá espaço para concorrer ao Senado.
A movimentação de Carlos, no entanto, foi criticada por representantes da direita no estado. Entre os que criticaram, Adriano Silva chegou a dizer, em entrevista ao programa Cabeça de Político, exibido no YouTube, que a candidatura do filho do ex-presidente por Santa Catarina seria uma "agressão".
— A vinda do Carlos Bolsonaro, sem dúvida nenhuma, eu entendo até como uma agressão ao estado. Eu, sinceramente, eu não o conheço pessoalmente, mas essa crítica eu faria a qualquer outro que quisesse se mudar do seu pleito eleitoral para um estado meramente por uma questão de oportunidade de voto — disse. — Quando eu vejo uma Carol de Toni fazendo um excelente trabalho, eu vejo o Gilson Marques fazendo um excelente trabalho, o próprio senador Esperidião Amin faz um excelente trabalho, então essas lideranças, sem dúvida nenhuma, são merecedoras das cadeiras lá e não lideranças de fora.
A indicação de Carlos foi criticada também pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), pré-candidato ao governo do estado que se define como representante da "direita real". Em entrevista ao GLOBO, ele afirmou que "o catarinense não tem aceitado muito bem o Carlos como candidato". Já nesta semana, o prefeito de Camboriú, Leonel Pavan (PSD), classificou a indicação do vereador como "uma loucura" por tratar o estado como "um balcão de negócios".

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