A carência de médicos especialistas em geriatria na rede pública de Joinville foi o tema central da reunião da Comissão de Saúde realizada nesta quarta-feira (6). Com uma população idosa que já ultrapassa 85 mil pessoas — cerca de 13% dos habitantes da cidade, com perspectiva de alcançar 30% até 2050 — representantes da sociedade civil organizada cobram do Executivo medidas imediatas para suprir o déficit de atendimento especializado.

Durante o encontro, os vereadores formalizaram uma moção apelativa para que a Prefeitura viabilize a contratação de geriatras. O principal entrave, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, é a dificuldade de mercado: o teto salarial do município enfrenta concorrência do setor privado, onde consultas particulares chegam a custar R$ 600,00.

A diretora de gestão estratégica da Secretaria da Saúde, Aline de Souza Berkenbrock, apresentou as ações em curso para melhorar o atendimento da população idosa em Joinville nos próximos anos. O foco principal é a estratificação de risco clínico por meio do Índice de Vulnerabilidade Clínico Funcional (IVCF-20). Com o mapeamento, a ser realizado a partir do segundo semestre de 2026, será possível ter uma quantidade dos idosos “robustos” (autônomos), “em risco” (que possuem alguma limitação na autonomia) ou “frágeis” (com elevado grau de dependência) e planejar melhor ações focadas para cada grupo.

A pasta defende ainda a expansão das vilas da saúde como espaços como ferramenta de promoção do envelhecimento ativo, unindo atividade física e interação social. Além disso, estão previstas capacitações gratuitas para cuidadores e formação contínua para os profissionais da rede municipal, tratando o tema do idoso de forma transversal.

Aline ressaltou que a saúde do idoso já integra o Plano Municipal de Saúde (2026-2029) e que um plano específico para o setor está sendo construído em conjunto com o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (Comdi).

Diante da demora de concursos públicos específicos para geriatria, o vereador Henrique Deckmann (MDB) propôs uma alternativa de curto prazo: o remanejamento de geriatras já concursados, mas que atuam em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou unidades básicas de saúde de forma generalista.

A sugestão é que entre quatro e seis desses médicos sejam direcionados exclusivamente para o atendimento especializado em quatro polos regionais da cidade. “Precisamos garantir que, no próximo concurso, a vaga de geriatra esteja explicitada. Caso contrário, ficaremos desamparados com as futuras aposentadorias”, alertou Deckmann.

O vereador Diego Machado (PSD) sugeriu, por exemplo, que um desses polos regionais seja a UBSF de Pirabeiraba, para facilitar o atendimento do distrito.

A presidente do Comdi, Maria Teresinha Devegili, reforçou a dificuldade de retenção de talentos devido à disparidade salarial entre o serviço público e o privado.

Como contrapartida à carência de consultas, o município articula a construção de um Centro de Convivência do Idoso, viabilizado por meio da destinação de Imposto de Renda ao Fundo da Pessoa Idosa.

Diferente de uma unidade de saúde tradicional, o centro será focado em: acompanhamento interdisciplinar (saúde e assistência social), atividades de lazer, dança e convivência e promoção da qualidade de vida fora do ambiente ambulatorial.

Para o final de setembro, a Secretaria de Saúde confirmou a realização da Semana Municipal de Saúde do Idoso, visando engajar a rede e sensibilizar a população sobre as demandas da terceira idade em Joinville.