O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifesta preocupação com a possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro (PL) utilizar sua ida aos Estados Unidos, com o respaldo do ex-presidente Donald Trump, para intensificar um discurso de perseguição política no Brasil. A temor central é que essa narrativa, endossada por figuras políticas americanas, possa gerar instabilidade no cenário pós-eleitoral e aumentar o atrito entre os governos de Brasil e Estados Unidos.
A apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a derrota eleitoral do senador, foi criticada por aliados de Lula. A avaliação interna é que a medida foi precipitada e desnecessária, oferecendo à oposição um pretexto para sustentar a narrativa de perseguição contra a família Bolsonaro. Governistas acreditam que essa ação criou um desgaste que poderia ter sido evitado, especialmente após a expressiva vitória de Lula no segundo turno.
Donald Trump, por sua vez, tem reiterado questionamentos sobre a lisura das eleições brasileiras, comparando a situação com supostas fraudes eleitorais nos Estados Unidos. Em comícios e declarações públicas, o ex-presidente americano tem levantado dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro, o que, segundo o governo brasileiro, pode ser explorado por Flávio Bolsonaro em seu discurso internacional. Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e que já reside nos EUA, também tem defendido a saída do país em caso de derrota eleitoral e questionado o funcionamento das urnas eletrônicas.
A saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos ocorre em um contexto judicial distinto do de seu pai, Jair Bolsonaro, que também se mudou para os EUA ao final de seu mandato. Enquanto Jair Bolsonaro não era investigado por tentativa de golpe de Estado ao deixar o país, Flávio sai após ser intimado a entregar seus passaportes, sendo alvo de investigações sobre suspeitas de irregularidades financeiras e sua relação com o advogado Willer Tomaz. A Polícia Federal solicitou a apreensão dos passaportes devido ao risco de fuga, citando a saída de outros investigados e declarações de aliados.



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